sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cf - 2011 - Via-Sacra

Via-Sacra da Campanha da Fraternidade 2011
Nesta Via-Sacra vamos seguir Jesus, enviado pelo Pai para resgatar a criação que geme em dores de parto. Ele veio a esse planeta para trazer vida e iluminar os nossos caminhos e sofrimentos.

1ª Estação Jesus é condenado a morte
Jesus é condenado à morte. Por meio de sua entrega na cruz, Ele nos concede a vida. O pecado que condenou e matou Jesus continua a ferir e matar a obra da criação, dom do Pai.
A vida instalada neste planeta sofre pelos maus tratos que nossa civilização impôs ao planeta. Hoje notamos a temperatura aumentar e mudanças climáticas em curso. E, as ocorrências decorrentes  das mudanças climáticas, como as fortes chuvas e a desertificação, prolongam o sofrimento de Jesus, especialmente nos mais pobres e indefesos.
(Silêncio)

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor pela vida em todas as suas expressões. Fortalecei-nos neste amor, e zelaremos pela obra da criação, hoje necessitada de cuidado, para que continue a oferecer as condições necessárias para a vida na Terra. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. - Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

2ª Estação Jesus carrega a cruz
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
Crucificaram Jesus no lugar chamado Calvário. Em nossos dias temos sinais inequívocos de que o planeta também tem o seu calvário. Na atmosfera aumentou a presença de gases que provocam o aumento da temperatura. As águas são contaminadas pela presença de lixo e substâncias tóxicas. Matas e florestas são devastadas e queimadas, terras de cultivo são esgotadas, Espécies já foram extintas, outras estão ameaçados de extinção. E por fim, as condições que o planeta oferece à vida, encontram-se em perigo.
(Silêncio)
Colocaram a cruz sobre os Seus ombros. Ele não apenas aceitou a imposição da cruz, mas abraçou-a livremente por amor. No peso da Sua cruz assumiu e carregou todos os sofrimentos, lágrimas e tristezas da humanidade neste contexto de aquecimento global e mudanças climáticas.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal de vossa compaixão para com toda a criação que geme em dores de parto. Renovai-nos para que tenhamos atitudes em nosso cotidiano que cooperem para sanar as dores por que passa o nosso planeta e fazem pesar a cruz de tantos irmãos e irmãs. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

3ª Estação Jesus cai pela primeira vez
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Carregando a cruz, Jesus saiu para o lugar chamado Calvário”. Caído de joelhos, ele rezava. “Como ovelhas, estávamos todos perdidos, cada qual ia em frente por seu caminho. Foi então que o Senhor fez cair sobre ele o peso dos pecados de todos nós”.
(Silêncio)
Enfraquecido por causa da perda de sangue nos maus tratos, com sede e com fome e com o peso da cruz, Jesus caiu por terra. Acolhe, em silêncio, com humildade e serenidade a queda. Confia em Deus, o que reanima sua fraqueza, renova a coragem e alimenta a esperança de vencer. Nosso planeta também se encontra enfraquecido pelas feridas que nosso sistema produtivo lhe abriu, explorando-o violentamente. Hoje já consumimos para além daquilo que a Terra pode nos oferecer de modo sustentável. E, apesar do planeta emitir sinais de desequilíbrio, continua a ser explorado impiedosamente.
(Silêncio)
Jesus caiu por terra em solidariedade para com a vida que é frágil e é submetida à violência de inúmeras ações pecaminosas neste planeta. Mas, ergueu-se da queda para retomar o caminho. Jesus quer estar presente em nossas lutas com esta força e com sua entrega nos une profundamente à sua páscoa.

Ó Deus, que não nos falte a força de Jesus, para nos reerguer da queda em nossas lutas em prol da vida no planeta e do auxílio às pessoas que sofrem. E ajudai-nos para que sejamos humildes em nossas quedas e confiantes no vosso poder para prosseguir na caminhada. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

4ª Estação Jesus se encontra com sua mãe
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
E a ti, uma espada traspassará tua alma! - e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações”. “Estavam lá também algumas mulheres que o seguiam desde a Galileia e entre elas encontrava-se Maria, sua mãe”.
(Silêncio)
Eis diante de nós uma das cenas mais comoventes de toda a história humana. Ainda sem estar totalmente refeito da dura queda, com o rosto coberto de suor, sangue e poeira, com os olhos inchados, Jesus avista, no meio da multidão, a Sua mãe. Os olhares se cruzam. Jesus e Sua Mãe nada conseguem fazer. Mas os corações se tocam. Hoje a dor invade os corações de pessoas que com a sensibilidade da Mãe de Jesus diante do sofrimento, se sensibilizam com os rasgos e destruições infringidos ao planeta, já desfigurado e sem vida em muitas de suas partes pela ambição destrutiva do ser humano. Pois, com a Sua Mãe, silenciosa e com lágrimas nos olhos, também nós diante da realidade da vida no planeta devemos dizer: “ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha”.
(Silêncio)
Nesta Via-Sacra, nos unimos ao sofrimento de Maria e de todas as pessoas que sucumbem na luta pela preservação das condições de vida no planeta. E com Jesus fazemos o caminho para o calvário, buscando forças para carregar a cruz e vencer todo o sofrimento que infringe a criação até o dia da plena libertação.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Que a dor dos corações partidos pela situação da vida no planeta, se reverta em ações em prol da justiça que liberta e salva as condições de vida na Terra, especialmente para os que mais sofrem neste contexto de crise ambiental. Ensinai-nos a solidariedade de Maria. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

5ª Estação Simão Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Ao saírem encontraram um homem chamado Simão, que era de Cirene, e o obrigaram a carregar cruz de Jesus”
(Silêncio)
Um desconhecido, que voltava do campo, foi forçado a carregar a cruz de Jesus. Não sabia quem era Jesus e muito menos que era o Filho de Deus. Mas o importante mesmo é que, no momento da necessidade, soube emprestar seus ombros a quem não os tinha. Soube oferecer suas forças a quem já estava sem forças. Soube tomar sobre si a cruz de quem já não a podia carregar.
(Silêncio)
Na criação todos os modos de vida se encontram interligados: o ar, as águas, as florestas e matas, os animais e o ser humano, conjunto que se denomina biodiversidade. Uma mata cortada implica em sofrimento para os animais e coopera para o desequilíbrio do clima. Uma espécie de peixe ou de um animal que se extingue, implica em danos para toda uma cadeia, ou seja, faz pesar sobre outros seres, sobretudo de milhões de seres humanos que já estão com dificuldade para obter água potável e extrair da terra o sustento em virtude de secas.
O mesmo pode-se aplicar em relação aos gases que provocam aumento da temperatura lançados na atmosfera em excesso, e resulta em ônus para a vida sobre o planeta. É necessário ajudarmos a carregar esta cruz, com a diminuição destas emissões.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que sejamos Cireneus que ajudam a carregar a cruz de Jesus que sofre e quase sucumbe em milhões de seres que formam a biodiversidade do planeta. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

6ª Estação Verônica enxuga o rosto de Jesus
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
De tal forma ele já nem parecia gente, tanto havia perdido a aparência humana, que muitos se horrorizaram com ele”. Uma piedosa mulher enxugou o rosto de Jesus.
(Silêncio)
Suor e sangue cobriam o Seu rosto, todo ensanguentado. De repente, Verônica, corajosa e solidária, passa entre os soldados, se aproxima de Jesus e com suas mãos trêmulas e carinhosas enxuga o seu rosto. Na toalha ficou gravado o retrato do Senhor. É a única imagem que Jesus quis nos deixar. Temos a foto do servo sofredor, anunciada pelo profeta lsaías: “Tão desfigurado estava o seu rosto que não parecia de homem... Não tinha graça nem beleza para atrair o nosso olhar, e seu aspecto não podia cativar-nos... Na verdade, Ele tomou sobre si as nossas doenças e carregou as nossas dores...
O castigo que nos salva pesou sobre ele e fomos curados por suas chagas”.
(Silêncio)
Nesta Via-Sacra, caminhamos com Jesus desfigurado e abatido até o Calvário, tendo em nossas mãos a toalha de Verônica. Queremos reconhecer o Senhor na face deste planeta já desfigurado
pelos maus tratos, o que ameaça a sua biodiversidade e impõe grandes sofrimentos aos mais pobres.
O gesto de Verônica também nos lembra que devemos ser cuidadores da vida instalada no planeta. Para isso devemos superar barreiras que nos distanciam dos que sofrem, e, a própria tentação de permanecermos numa vida egoísta e descompromissada.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que sejamos, a exemplo de Verônica, corajosos no socorrer a vida em todas situações de sofrimento e flagelo na atual crise ambiental. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

7ª Estação Jesus cai pela segunda vez
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento”
(Silêncio)
Jesus caiu diversas vezes no caminho. Já sem forças e sofrendo as consequências da terrível flagelação, alquebrado pelo peso da cruz, invadido pela dor do abandono dos amigos, Jesus tropeçou e caiu mais uma vez. Jesus fez sua oração do salmista: Eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe; Todos os que me vêem zombam de mim, descerram os lábios e meneiam a cabeça
(Silêncio)
A atitude do ser humano em sempre visar lucro, usando dos recursos do planeta sem pensar nas consequências para com este ser vivo, impôs flagelo a muitas partes do planeta. Geleiras estão derretendo, rios estão morrendo, o mar está super explorado, mais da metade das matas e florestas foram dizimadas, por isso, o clima está se desequilibrando. São sinais de que o planeta está sucumbindo ao desprezo e maus tratos.
Áreas ambientais nas cidades não são respeitadas, nelas surgem construções grandiosas e condomínios. Em meio a florestas importantes, constróem-se usinas cujos impactos ambientais são desastrosos. Assim, a deslumbrante e frágil vida no planeta, é desprezada em nome do crescimento econômico.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que consigamos nos libertar da ambição do crescimento desmedido que despreza a vida no planeta. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

8ª Estação Jesus consola as mulheres de Jerusalém
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo. “Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: “Mulheres de Jerusalém, não chorais por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos”
(Silêncio)
O estado de Jesus era desolador, mas certamente era mais desolador o estado daqueles que tramaram a morte e causaram as dores de Jesus, dos que o condenaram à morte, segundo a cartilha da justiça dos poderosos.
(Silêncio)
Grupos econômicos poderosos exploram bens da criação até a exaustão e fomentam o consumo, condenando a vida no planeta à morte. Muitos dos bens do planeta já se encontram saturados. Que planeta larga-remos para as futuras gerações? Com o atual ritmo de exploração destes bens, o que restará para os seres humanos que ainda virão a este planeta? Então: “chorai por vossos filhos”.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que possamos denunciar todas as atitudes iníquas que ofendem e matam a vida. Dai-nos a graça de estar sempre ao lado dos seres crucificados deste mundo, dos espoliados da vida. Livrai-nos do acúmulo desnecessário de bens e ensinai-nos a partilhar o que somos e temos. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

9ª Estação Jesus cai pela terceira vez
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado”
(Silêncio)
Jesus cai pela terceira vez. Faltavam poucos metros. Abatido, ferido, verdadeiro trapo humano, ele caiu por terra, mais uma vez, abrindo ainda mais as chagas e os ferimentos. Em silêncio, nada reclamou, apenas ofereceu a sua caminhada dolorosa a Deus e aos irmãos. Passou a vida fazendo o bem, anunciou o Reino do Pai e acabou sendo rejeitado, sobretudo pelos que viam os seus interesses contrariados e não queriam um mundo novo de justiça e paz.
(Silêncio)
Unimo-nos ao seu fracasso, tendo presente que o Reino de paz é fruto da justiça e da conversão. Nossa sociedade precisa de conversões rápidas e profundas como relação às suas fontes energéticas, que precisam ser menos poluidoras, no cultivo do campo, a criação precisa ser mais respeitada, ela já não suporta desmates e queimadas e nem suas águas serem contaminadas. Mas muitos que lucram com estas práticas não querem mudanças.
Mas o Reino, pregado por Jesus, exige renúncia, conversão, mudança de vida. Transformação interior. Se a criação geme em dores de parto, é para que nasça um novo mundo, de fraternidade e justiça. Neste novo modo de se viver, cada ser há de ser respeitado. A criação, por isso, anseia pela revelação dos filhos de Deus.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas e por toda a criação. Fortalecei-nos no amor para que sejamos humildes e acolhamos o convite à conversão, necessário para que surjam autênticos filhos de Deus. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

10ª Estação Jesus é despido de suas vestes
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima abaixo. Eles combinaram: ‘Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será’. Assim cumpriu-se a Escritura: ‘Repartiram entre si as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica”
(Silêncio)
Jesus chegou, finalmente, ao monte calvário, o altar do sacrifício. Os soldados agarraram Jesus. Arrancaram-lhe com violência as vestes, pegadas às chagas que cobriam todo corpo. Jesus se viu despido, humilhado e exposto ao ridículo diante da multidão irreverente. Teve que sacrificar tudo. Não reteve nada para si. Entregou tudo para poder resgatar tudo para todos. As vestes foram repartidas entre os soldados em quatro partes.
Em sua vida neste mundo, Jesus renunciou à posse e ao domínio. O domínio pode introduzir a violência na relação entre as pessoas e entre as pessoas e a criação. Se o domínio for exercido de modo tirano destrói a vida. Desumaniza a pessoa, que manipula e escraviza o semelhante e destrói impiedosamente a natureza sem respeitá-Ia.
Por renunciar ao domínio, Jesus respeitava a liberdade de todos e o que cada um era de fato. Preocupava-se em fazer crescer a todos mostrando um caminho de justiça e de paz. Por isso, mesmo violentado e despojado de suas vestes, continuou a suplicar ao Pai que venha o Reino onde não haverá mais lágrimas nem choro, porque este é um mundo novo, de irmãos e irmãs.
(Silêncio)  

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que possamos nos despojar de todo sentimento de domínio que não permite a vida florescer. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

11ª Estação Jesus é pregado na cruz
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda”
(Silêncio)
Nu, aos olhos de todos, Jesus foi estendido sobre a cruz. Grossos pregos perfuraram os seus pulsos. Os pés também foram pregados. Junto com Ele foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. As cruzes são erguidas com os corpos dependurados. Jesus ouviu injúrias e perdoou: “Pai, perdoai-Ihes porque não sabem o que fazem”. Ouve o pedido do bom ladrão: “Hoje, ainda estarás comigo no paraíso”. Teve preocupação com a sorte de sua mãe e a confiou ao discípulo amado: “Eis aí a tua mãe”.
Jesus exerceu o cuidado para com os seus até o fim e a todos procurou salvar, não se descuidou desta responsabilidade. Por isso, soube ouvir a voz do ladrão que lhe pedia a salvação e procurou confiar a sua Mãe aos cuidados de alguém que lhe pudesse amar como Ele.
O cuidado para com a mãe, simboliza o cuidado para com a fonte da vida. Se hoje o planeta se encontra aviltado e demonstrando desequilíbrios como nas mudanças climáticas, é porque o ser humano não tem cuidado devidamente da vida e de suas fontes. Uma sociedade que trunca a vida irresponsavelmente com contraceptivos e não valoriza a vida em sua gestação, também não será capaz de cuidar devidamente da criação.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que sejamos zelosos para com as fontes da vida. Dai-nos a graça de ofertar as nossas vidas aos irmãos e irmãs e a toda a criação da qual somos chamados a sermos cuidadores. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

12ª Estação Jesus morre na cruz
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Dando um forte grito, Jesus expirou”
(Silêncio)
Por volta das três horas da tarde, antes do desenlace final, Jesus gritou com foz forte: “Meu Deus, meu Deus, por que me aban-donastes”. Jesus encontrava-se nu, impotente, totalmente abandonado diante do Pai que se calava e nesse silêncio se revelava todo o seu mistério. Jesus não tinha nada a que se agarrar. Pelos critérios e lógicas humanas fracassou completamente. Apesar de tudo desaparecer e final de tudo estar próximo, Jesus confiou no Pai. Gritou: “Meu Pai, meu Pai! Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. “Tudo está consumado”. Jesus morreu abandonado na cruz. Pendeu entre o céu e a terra. As trevas invadiram a terra. O véu do templo rasgou-se.
O abandono conduz à deterioração e morte. Este processo ocorre com muitas pessoas que não têm nem onde residir, estão nos centros das cidades ou nas periferias. Muitas vindas da roça, onde viviam e de onde foram expulsas porque com a mudança do modo de produzir, já não são necessárias. A muitas só resta uma condição de mendicância, que por si, é um grito de morte.
A criação também geme em dores pelo que a sociedade industrial vem lhe fazendo. A princípio este grito também é de morte, denunciando a exploração para além de suas possibilidades de se manter sustentável. Até quando permaneceremos insensíveis aos gritos de morte que não são ecoados pelos meios de comunicação, mas que são de morte?

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que tenhamos coragem e ousadia de nos colocar no seguimento de Jesus, comprometidos com o amor ao próximo e a toda criação que geme em dores. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

13ª Estação Jesus é descido da cruz
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho: Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu junto de si”
(Silêncio)
Jesus estava morto. O silêncio invadiu o céu e a terra. Maria chorou o seu Filho. Um soldado perfurou o lado e o coração. José de Arimateia e Nicodemos desceram o corpo do Senhor.
Ungiram-no e o envolveram em faixas de linho com perfumes. Maria recebeu em seus braços o filho despedaçado, inerte e pesado. Acariciou o corpo frio e imóvel e assim rezou:
(Silêncio)
 Meu filho, meu filho o que fizeram contigo? Anunciastes o evangelho da vida, cuidastes de todos e da criação. Servistes e não dominastes. Mostrastes o caminho para um novo modo de viver, sem exclusões e de profundo respeito uns aos outros e à obra da criação do Pai. Restituístes a vida a tantos e, mesmo assim, se uniram para te tirar a vida! Meu filho, meu filho o que mais deverias ter feito?
 Nesta Via-Sacra, com Maria acolhemos em nossos braços o corpo do Senhor. E nos lembramos de tantas situações de morte em nosso planeta: de crianças infectadas pela falta de saneamento e água, dos expulsos da roça pelo agronegócio e subsídios dos países ricos ou pelas condições climáticas desfavoráveis ao cultivo da terra; de espécies animais já extintas e outras que beiram a extinção; de matas e florestas já dizimadas ou em desmatamento; das águas poluídas por fertilizante e agrotóxicos, e do ar poluído com gases que aumentam a temperatura. O que tem gerado morte com as mudanças climáticas. Cremos que Jesus morto continua a pregar a instauração do Reino da justiça.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos neste amor para que possamos completar a paixão de Cristo através das nossas vidas doadas e entregues para fazer o bem, cuidando por toda a vida neste planeta. Alimentai a nossa esperança. “Venha a nós o vosso reino assim na terra como céu”. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

14ª Estação Jesus é sepultado
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Em verdade, em verdade, vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto”. “José de Arimateia depositou o corpo de Jesus num túmulo que estava cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a porta do túmulo”
(Silêncio)
Depois de purificar e ungir o corpo de Jesus, José de Arimateia envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu próprio sepulcro, inteiramente novo, que fora cavado na rocha. Tanto em vida quanto na morte o Filho do Homem não teve onde reclinar a cabeça. Seu corpo estava morto, mas sua vida escondida em Deus.
(Silêncio)
Nesta Via-Sacra, solidários com Jesus e unidos às comunidades e a todas as pessoas que sofrem e lutam pela vida, cremos “em Jesus Cristo que padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos”. Cremos que a morte é a passagem necessária para a plenitude da vida. São como o grão de trigo que, ao morrer, produz vida e, ao ser enterrado, rompe o chão e cresce.
Por isso, a fé nos diz que os gritos da natureza que geme em dores de parto, que chamam a atenção para a situação em que se encontra a vida no planeta, por outro, alardeiam a esperança.
A morte de Jesus significa a sua solidariedade para com nossas mortes. Mas a última palavra de Jesus para nós não é morte, pois ele entra na morte para vencê-Ia.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Olhai com bondade para os que se doam no cuidado da vida no planeta. Fortalecei sempre esse amor. Fazei que o Seu amor produza frutos e alimente a esperança da ressurreição. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.

15ª Estação Jesus Ressuscitou
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. - Porque, pela vossa santa cruz, remiste o mundo.
“Por que buscais entre os mortos aquele que vive? Não está aqui. Ressuscitou!”
(Silêncio)
Três dias após a sua morte, Jesus ressuscitou para a plenitude da vida humana e divina. Deus não abandonou Jesus e revelou a verdadeira justiça. Com a ressurreição de Jesus triunfou a vida em todas as suas formas. A ressurreição vem definir o sentido e a alegria de nossa esperança. A vida passa pela morte, mas não é tragada por ela. O homem não nasce para morrer. Morre para ressuscitar. Então podemos dizer: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão?” “Graças sejam dadas a Deus que nos dá a vitória por Nosso Senhor, Jesus Cristo”
Ao final da nossa via-sacra, reafirmamos a nossa fé na ressurreição e bendizemos a Deus porque Jesus ressuscitou e continua dentro da história, vivo e presente no mundo, em cada pessoa, nos acontecimentos e nas celebra-ções. Cremos que a ressur-reição continua acontecendo sempre que os homens criam relações fraternas e estão mais próximos e respeitosos da obra da criação de Deus.
Para nós cristãos, a nova criação começa com a ressurreição de Cristo. O jardim da ressurreição, em que Jesus se revela ressuscitado a Maria Madalena, é o novo jardim do Éden, o lugar da boa notícia por excelência. Este acontecimento é o ponto de partida para a renovação da vida em todas as suas dimensões. Por isso, podemos enfrentar a morte como o fez esta mulher e discípula, que mesmo sob o Impacto da morte de seu Mestre, vai ao lugar da sepultura. Certamente, sua ida ao sepulcro aconteceu porque se sentiu fortalecida pelas palavras e gestos que testemunhou em Jesus. Tornou-se a primeira testemunha da ressurreição de Jesus Cristo.

Ó Deus, a cruz de Jesus é o sinal do vosso amor por todas as pessoas. Fortalecei-nos na alegria da ressurreição do vosso Filho. Dai-nos a graça de viver na condição de ressuscitados. Bendizemos o vosso nome porque a vida, dom a este planeta, é mais forte do que a morte. Nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Ó Maria, Mãe querida, Jesus nos confiou a vós como filhos e filhas. Despertai-nos, para que nos dediquemos com amor ao cuidado para com a vida no planeta.
Texto Base da CF-2011
Formatação: Vanessa – Paróquia São Vicente ,
Adaptado por Laércio

AS SETE FRASES DE JESUS NA CRUZ



 
 
1) "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..." (Lucas 23:34)
2) "Em verdade te digo que hoje estarás comigo na Paraíso" (Lucas 23:43)
3) "Mulher, ... eis aí o teu filho" (João 19:26)
4) "Deus meu... Deus meu... porque me desamparaste?" (Mateus 27:46)
5) "Tenho sêde ..." (João 19:28)
6) "Está consumado..." (João 19:30)
7) "Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23:46

Entendendo a Sexta-feira Santa


Sexta-feira Santa
A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João comtemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a comtemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloqüente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

A Celebração
Hoje não se celebra a missa em todo o mundo. O altar é iluminado sem mantel, sem cruz, sem velas nem adornos. Recordamos a morte de Jesus. Os ministros se prostram no chão frente ao altar no começo da cerimônia. São a imagem da humanidade rebaixada e oprimida, e ao mesmo tempo penitente que implora perdão por seus pecados.
Vão vestidos de vermelho, a cor dos mártires: de Jesus, o primeiro testeunho do amor do Pai e de todos aqueles que, como ele, deram e continuam dando sua vida para proclamar a libertação que Deus nos oferece.

Ação litúrgica na Morte do Senhor
1. A ENTRADA
A impressionante celebração litúrgica da Sexta-feira começa com um rito de entrada diferente de outros dias: os ministros entram em silëncio, sem canto, vestidos de cor vermelha, a cor do sangue, do martírio, se prostram no chão, enquanto a comunidade se ajoelha, e depois de um espaço de silêncio, reza a oração do dia.

2. Celebração da Palavra
  • Primeira Leitura
Espetacular realismo nesta profecia feita 800 anos antes de Cristo, chamada por muitos o 5º Evangelho. Que nos introduz a alma sofredora de Cristo, durante toda sua vida e agora na hora real de sua morte. Disponhamo-nos a vivê-la com Ele.
Leitura do Profeta Isaías 52, 13 ; 53

Eis que meu Servo há de prosperar, ele se elevará, será exaltado, será posto nas alturas.
Exatamente como multidões ficaram pasmadas à vista dele - tão desfigurado estava seu aspecto e a sua forma não parecia a de um homem - assim agora nações numerosas ficarão estupefactas a seu respeito,reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido.
Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um renovo, como raiz que brota de uma terra seca; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar.
Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos nenhum caso dele.
E no entanto, era as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava.
Mas nós o tinhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado.
Mas ele foi trespassado por causa de nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas iniqüidades.
O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.
Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença de seus tosquiadores ele não abriu a boca.
Após a detenção e julgamento, foi preso. Dentre os seus contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo?
Deram sepultura com os ímpios, o seu túmulo está com os ricos, se bem que não tivesse praticado violência nem tivesse havido engano em sua boca.
Mas o Senhor quis feri-lo, submetê-lo à enfermidade. Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar.
Após o trabalho fatigante de sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sbre si as suas transgressões.
Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou sua alma à morte e foi contado com os transgressores, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.

Palavra do Senhor
Salmo responsorial
Neste Salmo, recitado por Jesus na cruz, entrecruzam-se a confiança, a dor, a solidão e a súplica: com o Homem das dores, façamos nossa oração.
Sl 30, 2 e 6. 12-13. 15-16. 17 e 25.
Senhor, em tuas mãos eu entrego meu espírito.
Senhor, eu me abrigo em ti: que eu nunca fique envergonhado; Salva-me por sua justiça. Leberta-me . em tuas mãos eu entrego meu espírito, é tu quem me resgatas, Senhor.
Pelos opressores todos que tenho já me tornei um escândalo; para meus vizinhos, um asco, e terror para meus amigos. Os que me vêem na rua fogem para longe de mim; fui esquecido, como um morto aos corações, estou como um objeto perdido.
Quanto a mim, Senhor, confio em ti, e digo: " tú és o meu Deus!". Meus tempos etão em tua mão: liberta-me da mão dos meus inimigos e perseguidores. Faze brilhar tua face sobre o teu servo, salva-me por teu amor. Sede firmes, fortalecei vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.
  • Segunda leitura
  • O Sacerdote é o que une Deus ao homem e os homens a Deus… Por isso Cristo é o perfeito Sacerdote: Deus e Homem. O Único e Sumo e Eterno Sacerdote. Do qual o Sacerdócio: o Papa, os Bispos, os sacerdotes e dos Diáconos unidos a Ele, são ministros, servidores, ajudantes…

    Leitura da Carta aos Hebreus 4,14-16; 5,7-9.
    Temos, portanto, um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Permaneçamos, por isso, firmes na profissão de fé. Com efeito, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos, então, com segurança do trono da graça para conseguirmos misericórdia e alcançarmos graça, como ajuda oportuna.
    É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão. Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado à perfeição, se tornou para todos os que lhe obedeceram princípio da salvação eterna.
    Palavra do Senhor.
  • Versículo antes o Evangelho (Fl 2, 8-9)
    Cristo, por nós, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o sobreexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é acima de todo nome.
    Como sempre, a celebração da Palavra, depois da homilia conclui-se com uma ORAÇÃO UNIVERSAL, que hoje tem mais sentido do que nunca: precisamente porque comtemplamos a Cristo entregue na cruz como Redentor da humanidade, pedimos a Deus a salvação de todos, crentes e não crentes.
    3. Adoração da Cruz

    Depois das palavras passamos a um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da Santa Cruz é apresentada solenemente a Cruz à comunidade, cantando três vezes a aclamação:
    "Eis o lenho da Cruz, onde esteve pregada a salvação do mundo. Ó VINDE ADOREMOS", e todos ajoelhados uns instantes de cada vez, e então vamos, em procissão, venerar a Cruz pessoalmente, com um genuflexão (ou inclinação profunda) e um beijo (ou tocando-a com a mão e fazendo o sinal da cruz ); enquanto cantamos os louvores ao Cristo na Cruz :

    4. A comunhão
    Desde de 1955, quando Pio XII decidiu, na reforma que fez na Semana Santa, não somente o sacerdote - como até então - mas também os fiéis podem comungar com o Corpo de Cristo.
    Ainda que hoje não haja propriamente Eucaristia, mas comungando do Pão consagrado na celebração de ontem, Quinta-feira Santa, expressamos nossa participação na morte salvadora de Cristo, recebendo seu "Corpo entregue por nós".

Liturgia das Horas - Sexta-feira da Paixão do Senhor

Liturgia das Horas - Laudes nesse segundo dia do Tríduo Pascal..
Clic no link abaixo e oremos:

http://www.diocesedeosorio.org/osorio/liturgiadashoras/tempoquaresma/quaresma_ver.asp?Liturhoras_ID=133

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vivonafé Notícias - A Eucaristia é a união visível entre todos, diz Papa


A Eucaristia é a união visível entre todos, diz Papa

Pontífice reflete sobre a unidade dos cristãos na Missa da Ceia do Senhor


ROMA, quinta-feira, 21 de abril de 2011 (ZENIT.org) - O Papa advogou nesta Quinta-feira Santa por uma unidade dos cristãos “tão visível que constitua para o mundo a prova do envio de Jesus pelo Pai”.


Bento XVI celebrou a Missa da Ceia do Senhor no fim de tarde de hoje em Roma, na Basílica de São João de Latrão.
Em um momento de sua homilia, o Papa enfocou uma súplica da última ceia, “que, segundo João, Jesus repetiu quatro vezes na sua Oração Sacerdotal. Como O deve ter angustiado no seu íntimo! Tal súplica continua sem cessar sendo a sua oração ao Pai por nós: trata-se da oração pela unidade”, disse Bento XVI.
Jesus “pede que todos se tornem um só, ‘como Tu, ó Pai, estás em Mim, e Eu em Ti, que eles também estejam em nós, para que o mundo acredite’ (Jo 17, 21)”.


“Só pode haver a unidade dos cristãos se estes estiverem intimamente unidos com Ele, com Jesus. Fé e amor por Jesus: fé no seu ser um só com o Pai e abertura à unidade com Ele são essenciais.”


Portanto – afirmou Bento XVI –, “esta unidade não é algo somente interior, místico. Deve tornar-se visível; tão visível que constitua para o mundo a prova do envio de Jesus pelo Pai”.
“Por isso, tal súplica tem escondido um sentido eucarístico que Paulo pôs claramente em evidência na Primeira Carta aos Coríntios: ‘Não é o pão que nós partimos uma comunhão com o Corpo de Cristo? Uma vez que existe um só pão, nós, que somos muitos, formamos um só corpo, visto participarmos todos desse único pão’ (1 Cor 10, 16-17).”


Com a Eucaristia – disse o pontífice –, nasce a Igreja. “Todos nós comemos o mesmo pão, recebemos o mesmo corpo do Senhor, e isto significa: Ele abre cada um de nós para além de si mesmo. Torna-nos todos um só”.


“A Eucaristia é o mistério da proximidade e comunhão íntima de cada indivíduo com o Senhor. E, ao mesmo tempo, é a união visível entre todos. A Eucaristia é sacramento da unidade. Ela chega até ao mistério trinitário, e assim cria, ao mesmo tempo, a unidade visível.”
“Digamo-lo uma vez mais: a Eucaristia é o encontro pessoalíssimo com o Senhor, e no entanto não é jamais apenas um ato de devoção individual; celebramo-la necessariamente juntos. Em cada comunidade, o Senhor está presente de modo total; mas Ele é um só em todas as comunidades.”


“Por isso, fazem necessariamente parte da Oração Eucarística da Igreja as palavras: ‘una cum Papa nostro et cum Episcopo nostro’. Isto não é um mero acréscimo exterior àquilo que acontece interiormente, mas expressão necessária da própria realidade eucarística”, afirmou o Papa.


“E mencionamos o Papa e o Bispo pelo nome: a unidade é totalmente concreta, tem nome. Assim, a unidade torna-se visível, torna-se sinal para o mundo, e estabelece para nós mesmos um critério concreto.”


Segundo Bento XVI, “todos nós devemos aprender sempre de novo a aceitar Deus e Jesus Cristo como Ele é, e não como queríamos que fosse. A nós também nos custa aceitar que Ele esteja à mercê dos limites da sua Igreja e dos seus ministros”.


“Também não queremos aceitar que Ele esteja sem poder neste mundo. Também nos escondemos por detrás de pretextos, quando a pertença a Ele se nos torna demasiado custosa e perigosa.”
“Todos nós temos necessidade da conversão que acolhe Jesus no seu ser Deus e ser Homem. Temos necessidade da humildade do discípulo que segue a vontade do Mestre.”


“Nesta hora, queremos pedir-Lhe que nos fixe como fixou Pedro, no momento oportuno, com os seus olhos benévolos, e nos converta”, disse o Papa.


Fonte:http://www.zenit.org/article-27798?l=portuguese

Vivonafé Notícias - Papa reflete sobre sofrimento de Cristo no Getsêmani


Papa reflete sobre sofrimento de Cristo no Getsêmani

Convida a unir-se à vontade de Deus acima de tudo, como Jesus


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 20 de abril de 2011 (ZENIT,org) - O Papa Bento XVI dedicou a audiência de hoje a refletir sobre o significado profundo da agonia de Cristo no Getsêmani.


De fato, o sofrimento de Cristo no Horto das Oliveiras ocupou quase toda a catequese sobre a paixão e morte, enfocando todo o tríduo pascal a partir de uma ótica diferente da dos anos anteriores, nos quais ele explicava cada uma das celebrações.


O Papa sublinhou a importância, depois dos ofícios da Quinta-Feira Santa e do lava-pés, de participar da adoração eucarística, que precisamente faz memória deste momento especialmente duro da vida de Jesus.


No Getsêmani, "Jesus diz aos seus: ficai aqui e vigiai; e este apelo à vigilância se refere de modo preciso a este momento de angústia, de ameaça, no qual chegará o traidor, mas concerne também a toda a história da Igreja", explicou.


Esta exortação de Cristo é "uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só o problema daquele momento, mas o grande problema de toda a história".
Esta sonolência, afirmou, é a insensibilidade da alma frente ao poder do mal, frente a Deus: "esta é a nossa verdadeira sonolência; esta insensibilidade diante da presença de Deus que nos torna insensíveis também diante do mal".


A vontade de Deus


Depois, o Papa quis falar sobre a oração de Jesus no Getsêmani: "Não se faça a minha vontade, mas a tua".
Esta vontade de Cristo, explicou o Papa, é que "não deveria morrer", "que se afaste dele esse cálice do sofrimento: é a vontade humana, da natureza humana, e Cristo sente, com toda a consciência do seu ser, a vida, o abismo da morte, o terror do nada, essa ameaça do sofrimento".


No horto, Jesús transforma "esta vontade natural sua em vontade de Deus, em um "sim" à vontade de Deus".
"Entrar na vontade de Deus não é uma oposição à pessoa, não é uma escravidão que violenta a minha vontade, mas é entrar na verdade e no amor, no bem", recordou.


Jesús, afirmou o Papa, convida todos a "entrar nesse seu movimento: sair do nosso ‘não' e entrar no ‘sim' do Filho. Minha vontade existe, mas a decisiva é a vontade do Pai, porque esta é a verdade e o amor".


Sumo Sacerdote
Por último, o Papa explicou como, no Getsêmani, Jesus se converte no verdadeiro Sumo Sacerdote, prefigurado no sacerdócio levítico.
A Carta aos Hebreus, afirmou, "nos dá uma profunda interpretação desta oração do Senhor, deste drama do Getsêmani. Diz que estas lágrimas de Jesus, esta oração, estes gritos de Jesus, esta angústia, tudo isso não é simplesmente uma concessão à fraqueza da carne, como poderia ser dito".


"Precisamente assim, Ele realiza a tarefa do Sumo Sacerdote, porque o Sumo Sacerdote deve levar o ser humano, com todos os seus problemas e sofrimentos, à altura de Deus."
Esta "humilhação do Getsêmani é essencial para a missão" de Jesus, afirmou o Papa. "Ele leva consigo o nosso sofrimento, nossa pobreza, e os transforma segundo a vontade de Deus. E assim abre as portas do céu, abre o céu: esta cortina do Santíssimo, que até agora o homem fechava contra Deus, é aberta pelo seu sofrimento e pela sua obediência."


"O critério que guiou cada escolha de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, de ser-lhe fiel; esta decisão de corresponder ao seu amor o impulsionou a abraçar, em toda circunstância, o projeto do Pai."


"Disponhamo-nos a acolher, também nós, em nossa vida, a vontade de Deus, conscientes de que, na vontade de Deus, ainda que pareça dura, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida", concluiu.


Fonte:http://www.zenit.org/article-27791?l=portuguese

Vivonafé Notícias - Arquidiocese de Natal ganhará mais uma paróquia


Arquidiocese de Natal ganhará mais uma paróquia



A Arquidiocese de Natal passará a contar com um total de 80 paróquias e seis áreas pastorais a partir do dia 25, às 19 horas. Nesta data e horário, o Arcebispo de Natal, Dom Matias Patrício de Macêdo, presidirá a missa em que criará a Paróquia de São Bento, formada pelas cidades de Serra de São Bentoe e Monte das Gameleiras. Segundo relatos históricos, Serra de São Bento já foi paróquia lá pelos idos de 1800. Perdeu o título e foi anexada à Paróquia da Imaculada Conceição, de Nova Cruz. Em 2009, Dom Matias desmembrou Serra de São Bento e Monte das Gameleiras das paróquias de Nova Cruz e São José de Campestre, respectivamente., criando a Área Pastoral de São Bento Abade. A criação da Área Pastoral se deu no dia 15 de junho de 2009. 

Quando uma comunidade é transformada em Área Pastoral, imediatamente começa a ter autonomia e se prepara para ser transformada em paróquia. “Esperamos que o povo de Deus entenda que a evangelização acontece, que se trabalha junto e que a evangelização se fortaleça ainda mais”, afirma o Pe. Mário Gomes, atual responsável pela Área Pastoral e que assumirá o comando da nova Paróquia.



Fonte:http://www.arquidiocesedenatal.org.br/noticias_index/not2004serra.htm

Liturgia das Horas - Quinta-feira da Semana Santa

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Como morreu Jesus?


 Há pelo menos dois livros sérios sobre a paixão e morte de Jesus, em português. O mais antigo, escrito há mais de trinta anos, é do medico e cirurgião francês Pierre Barbet que estudou o assunto durante 25 anos. O livro se chama "A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião" (Ed.Loyola, SP). No próximo artigo eu coloco um resumo da Paixão do Senhor segundo Dr.Pierre. 


Outro livro recente, sério, científíco, é do médico legista americano Dr. Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Columbia, dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina.

Ele foi patologista-chefe do Instituto Médico Legal de Nova York durante 35 anos. As suas conclusões estão no livro "A crucificação de Jesus - as conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal", recém-lançado no Brasil (Editora Idéia e Ação, 455 págs.).

Dr. Frederick, de 76 anos, é católico convicto, e realizou suas pesquisas com amor, devoção e  respeito a Jesus Cristo, durante  meio século de sua vida estudou a verdadeira "causa mortis" de Jesus. Escreveu três livros e mais de dois mil artigos sobre o assunto, todos publicados em revistas especializadas, nos quais revela como foi a crucificação e quais as conseqüências físicas, do ponto de vista médico, dos flagelos sofridos por Cristo durante as  18 horas de sua paixão.

O legista afirma que a "causa mortis" de Jesus foi parada cardiorrespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluidos corpóreos (choque hipovolêmico), isso combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos.

Para seus estudos Dr. Zugibe utilizou uma cruz de madeira construída nas medidas que correspondem às informações históricas sobre a cruz de Jesus (2,34 metros por 2 metros), selecionou voluntários para serem suspensos, monitorou eletronicamente cada detalhe.

Os seus estudos sobre a morte de Jesus começam no Jardim das Oliveiras, quando Jesus passa por sua agonia mortal; em seguida  condenação, açoitamento e crucificação. O médico analisou o suor de sangue de Jesus no Horto das Oliveiras;  segundo o legista, com o fenômeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte stress mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se então ao suor que é expelido pelo corpo.

Jesus  foi vítima de extrema angústia mental e isso drenou e debilitou a sua força física até a exaustão total. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Dr. Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados. Em geral, eles tinham três tiras e cada uma possuía na ponta pedaços de ossos de carneiro ou outros objetos pontiagudos. A conclusão é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na  Lei Mosaica), o que equivale a 117 golpes, já que o chicote tinha três pontas. As conseqüências médicas são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios, reduzida a uma massa de carne destroçada, ansiando por água, diz o legista.

Ao final do açoite, uma coroa de espinhos foi cravada na cabeça de Jesus, causando sangramento no couro cabeludo, na face e na cabeça. Os espinhos atingiram ramos de nervos que provocam dores terríveis quando são irritados. É o caso do nervo trigêmeo, na parte frontal do crânio, e do grande ramo occipital, na parte de trás. As dores do trigêmeo são descritas como as mais difíceis de suportar e há casos nos quais nem a morfina consegue amenizá-las.

Em busca de precisão científica, Dr.Zugibe foi a museus de Londres, Roma e Jerusalém para se certificar da planta exata usada na confecção da coroa. Entrevistou botânicos e em Jerusalém conseguiu sementes de duas espécies de arbustos espinhosos. Ele as cultivou em sua casa. O pesquisador concluiu então que a planta usada para fazer a coroa de espinhos de Jesus foi o espinheiro- de-Cristo sírio, arbusto comum no Oriente Médio e que tem espinhos capazes de romper a pele do couro cabeludo.

Após o suplício dessa coroação, amarraram nos ombros de Jesus a parte horizontal de sua cruz (cerca de 22 quilos) e penduraram em seu pescoço o título, placa com o nome e o crime cometido pelo crucificado,  em latim, INRJ - Jesus Nazareno Rei dos Judeus. Jesus caminhou com a cruz, segundo Dr. Zugibe, oito quilômetros. Segundo ele, Cristo não carregou a cruz inteira, a estaca vertical costumava ser mantida fora dos portões da cidade, no local onde ocorriam as crucificações.

Ao chegar ao local de sua morte, as mãos de Jesus foram pregadas à cruz com pregos de 12,5 centímetros de comprimento. Esses objetos perfuraram as palmas de suas mãos, pouco abaixo do polegar, região por onde passam os nervos medianos, que geram muita dor quando feridos. Preso à trave horizontal, Cristo foi suspenso e essa trave, encaixada na estaca vertical. Os pés de Jesus foram pregados na cruz, um ao lado do outro, e não sobrepostos mais uma vez, ao contrário do que a arte e as imagens representaram ao longo de séculos. Os pregos perfuraram os nervos plantares, causando dores lancinantes e contínuas.

Preso à cruz, Cristo passou a sofrer fortes impactos físicos. Para conhecê-los em detalhes, o médico legista reconstituiu a crucificação com voluntários assistidos por equipamentos médicos. Os voluntários tinham entre 25 e 35 anos e o monitoramento físico incluiu eletrocardiograma, medição da pulsação e da pressão sangüínea. Todos os voluntários observaram que era impossível encostar as costas na cruz. Eles sentiram fortes cãibras, adormecimento das panturrilhas e das coxas e arquearam o corpo numa tentativa de esticar as pernas.

Dr. Zugibe analisou três teorias principais sobre a causa da morte de Jesus: asfixia, ruptura do coração e choque traumático e hipovolêmico. Ele afirma que a teoria mais propagada é a da morte por asfixia, mas ela jamais foi testada cientificamente. O cirurgião francês Pierre Barbet defende que Jesus morreu por asfixia, Zugibe classifica essa tese de indefensável sob a perspectiva médica.

Quanto à hipótese de Cristo ter morrido de ruptura do coração ou ataque cardíaco, Zugibe alega ser muito difícil que isso ocorra a um indivíduo jovem e saudável, mesmo após exaustiva tortura: Arteriosclerose e infartos do miocárdio eram raros naquela parte do mundo. Só ocorriam em indivíduos idosos. Ele descarta a hipótese por falta de provas documentais. Para ele a causa da morte foi o choque causado pelos traumas e pelas hemorragias. A isso somaram-se as terríveis dores provenientes dos nervos medianos e plantares, o trauma na caixa torácica, hemorragias pulmonares decorrentes do açoitamento, as dores da nevralgia do trigêmeo e a perda de mais sangue depois que um dos soldados lhe perfurou o peito, abrindo o átrio direito do coração.

Dr. Zugibe diz que os seus estudos aumentaram a sua crença em Deus: Depois de realizar os meus experimentos, eu fui às escrituras. É espantosa a precisão das informações. Ao final dessa viagem ao calvário, Zugibe faz o que chama de sumário da reconstituição forense. E chega à definitiva "causa mortis" de Jesus, em sua científica opinião: Parada cardíaca e respiratória, em razão de choque traumático e hipovolêmico, resultante da crucificação.


Prof. Felipe Aquino
Fonte:http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=90&scat=141&id=3279