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terça-feira, 6 de março de 2012

A Campanha da Fraternidade e a Confissão


A Campanha da Fraternidade e a Confissão

06/03/2012
A Campanha da Fraternidade e a Confissão
A Campanha da Fraternidade deste ano faz um apelo à saúde pública. Pois bem, a saúde interessa a todo e qualquer cidadão e, cada um por si só, tem o compromisso de cuidar de sua própria saúde, para viver bem e ser feliz. Mas, quando tratamos da saúde pública, entramos na relação do bem comum. A saúde de todos. Não só da minha, mas também da sua, da nossa e da vossa.
Neste texto vamos ver a relação que existe entre a saúde pública e o sacramento da confissão. De imediato recordo-me de Juquinha que foi se confessar. Apresentou-se ao padre, contou seus pecados e, no final, lembrou-se que ainda tinha um pecado grave para acusar. Então disse: “padre, roubei uma cordinha”. E o padre: “De quantos metros?”. E o Juquinha: “De uns três metros”. Então o padre disse: “Mas, isso não chega a ser um pecado grave”. No que Juquinha respondeu todo encabulado: “Não sei como foi, mas na ponta da cordinha tinha um cachorrinho bem pequeno, um pequenez, bonitinho e fofinho”.
Pois bem, tanto a saúde pública como uma confissão requerem, por si só, o que chamaria de qualidade. Nosso povo anda doente e precisa curar-se. A medicina tem evoluído muito, mas parece estar distante do bem comum. As pessoas vão atrás de profissionais da medicina e encontram mil e um obstáculos. Os fiéis procuram o padre para confessar-se, mas onde estão os padres na hora de atender os penitentes? Quem tem plano de saúde, até se sente protegido. E, quem não consegue tê-lo? Os médicos cobram preços exorbitantes. Há muitos hospitais. Mas, questiona-se o atendimento. Há hospitais com leitos ociosos e, nos mesmos hospitais, doentes em macas nos corredores. Dá prá entender?
Problemas não faltam. Tenho a impressão de que, na sociedade moderna, o maior número de doenças provém do estado da alma. As ciências psicológicas, ligadas à psiqué das pessoas, ou seja, à alma do ser humano, são muito recentes. Desde quando existem os cursos de psicologia e de parapsicologia? São ciências muitos recentes e temos muitos profissionais da área que deixam muito a desejar, ao lado dos que exercem sua profissão com muita qualidade e eficiência.
Guiar o ser humano no seu íntimo, saber orientar as pessoas no caminho bem, direi, é a arte das artes. Jesus a tinha de sobra. Como sabia guiar as pessoas para o caminho do bem! Vem-me à mente o caso da mulher adúltera que devia ser apedrejada por causa de seus pecados públicos. O que Jesus fez? Voltou-se para o pessoal e lhes disse: “Quem de vocês não tem pecado, atire a primeira pedra”. Um a um, todos soltavam as pedras, a começar pelos mais velhos. Depois, voltou-se para a mulher e lhe disse: “De agora em diante, vai e não peques mais”.
Pois bem, Jesus apenas poderia ter protegido a mulher do apedrejamento. Mas, foi adiante, pediu-lhe um compromisso, uma ação concreta de mudança de vida. É a arte das artes. Jesus lhe dá um novo sentido à sua existência, abandonar sua vida doentia para viver vida plena, de qualidade, baseada no compromisso e no engajamento.
O sacerdote deve ser um desses profissionais da saúde, ligado ao sacramento da confissão. E o penitente deve crer que, além da qualidade do atendimento do confessor, há um algo a mais, que age na pessoa do próprio Cristo, que perdoa. O mesmo Cristo da mulher adúltera, do bom samaritano, da Última Ceia, da Paixão e da Ressurreição. Ele é o caminha, a verdade e a vida. Assim, a Igreja professa e proclama a misericórdia.
Normalmente, temos medo de nos confessar. Isso faz parte. O medo deve ser superado, não vem de Deus. E a confissão deve ser bem feita e clara. Não complicar. O Juquinha queria enrolar o padre. Quanto mais claros somos, mais luz terá o confessor para nos guiar no bem. Ele também é um pecador e sabe disso, mas foi assim que Jesus instituiu o sacramento da reconciliação. Ele quer que a saúde de nossa alma perpasse pelo filtro de um irmão mais velho, um presbítero.
E os efeitos que sentimos depois da confissão? Normalmente as pessoas dizem: “Nossa, como me sinto leve!” “Como me sinto bem!” Não podemos imaginar o trabalho de Jesus no interior das pessoas. Quanta saúde, quanta paz. É um remédio e tanto! Talvez insuperável! O penitente se revigora totalmente. Torna-se novo, sadio. Então, por que medo? Por que não?
Inventamos desculpas para não confessar. Esquecemo-nos do Pai. Esquecemos a alegria do perdão. Cultivamos rancores, antipatias e mágoas. Mas o grande Pai não. Nós todos valemos muito mais do que tudo aquilo que podemos ter esbanjado ou aprontado. Ele não precisa dos nossos bens e nem da nossa ficha limpa, quer o nosso coração. O abraço do perdão será inesquecível e a festa também.
Podemos concluir dizendo que, realmente, existe uma estreita ligação entre a saúde pública e a confissão sacramental. Ambas querem chegar ao ser humano e dar-lhe maior qualidade de vida.
Autor: Dom Irineu Roque Scherer - Bispo da Diocese de Joinville

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CF- 2012 - Comprometidos com a saúde


Comprometidos com a saúde

Por Pe.Nilo Luza,ssp

A doença é a praga que atinge grande parte da população, principalmente a mais pobre.Jesus cura os doentes para demonstrar que a doença não é castigo de Deus nem é do seu agrado.Ela não faz parte do plano divino, mas decorre da fragilidade e do descuido humano.

Com a cura, Jesus provoca transformação na pessoa e também na sociedade.Da mesma forma,todos os conhecimentos devem ser aplicados para sanar as deficiências e fragilidades humanas e assim melhorar a vida da pessoa e da sociedade.

O mundo,a vida e o universo todo,criados por Deus foram entregues ao ser humano para que os transforme e os torne cada vez mais saudáveis e habitáveis.A natureza sadia e bem cuidada torna a vida do ser humano também mais saudável.Há relação muito estreita entre saúde da pessoa e saúde do planeta.

Aproveitemos as lições que a Campanha da Fraternidade nos traz neste ano,chamando atenção para a saúde pública.Esta campanha nos apontará elementos preciosos,que poderão der aplicados em favor de melhor saúde para a população.

È obrigação do poder publico preocupar-se em fornecer condições de saúde para o povo,mas também a sociedade e cada um devem dar a sua colaboração.Vencer as doenças pelas pesquisas e pela ciência é sinal da Ressurreição de Cristo.

A preocupação maior não deveria apenas combater a doença,mas também preservar a saúde.O melhor remédio é a prevenção.Seria contraditório estragar nossa saúde com o abuso de comidas e bebidas não saudáveis e, depois, pedir a Deus a saúde.Qualidade de vida consegue-se com alimentação sadia e equilibrada,com exercícios físicos e otimismo.

Por outro lado,não podemos abandonar os doentes a própria sorte nem julgá los,culpando-os de sua situação.Eles tem o direito de receber o cuidado do Estado e a dedicação da família e da própria comunidade cristã.Jesus não ignorava os doentes.Nossas comunidades precisam criar pastorais e mecanismos adequados em favor da saúde total das pessoas.

Fonte: Jornal "O Domingo" , Semanário Litúrgico-Catequético - Ano LXXX - Remessa II de 05-02-2012 n 6

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CF2012- Oração

Senhor Deus de amor,
Pai de bondade,
nós vos louvamos e agradecemos
pelo dom da vida,
pelo amor com que cuidais de toda a criação.

Vosso Filho Jesus Cristo,
em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos
e de todos os sofredores,
sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude.

Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito.
Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão
se faça sempre mais, solidária às dores e enfermidades do povo,
e que a saúde se difunda sobre a terra.

Amém.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

CF2012- 2. Saúde e salvação para a Igreja


12. A experiência da doença mostra que o ser humano é uma profunda unidade pneumossomática. Não é possível separar corpo e alma. Ao paralisar o corpo, a doença impede o espírito de voar. Mas se, de um lado, a experiência é de profunda unidade, de
outro, é de profunda ruptura. Com a doença passamos a perceber o corpo como um ‘outro’, independente, rebelde e opressor. Ninguém escolhe ficar doente. A doença se impõe. Além de não respeitar nossa liberdade, ela também tolhe nosso direito de ir e vir. A doença é, por isso, um forte convite à reconciliação e à harmonização com nosso próprio ser.

13. A doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade, pois não discrimina ninguém. Atinge a todos: ricos, pobres, crianças, jovens, idosos. Com a doença, escancarasse diante de todos nossa profunda igualdade. Diante de tal realidade, a atitude mais lógica é a da fraternidade e da solidariedade.

14. Os temas da saúde e da doença exigem, portanto, uma abordagem ampla, como a proposta pelo Guia para a Pastoral da Saúde, elaborado pelo CELAM (Conferência Episcopal LatinoAmericana). O GPS diz que a saúde é afirmação da vida, em suas múltiplas incidências, e um direito fundamental que os Estados devem garantir (4).O mesmo documento assim define saúde: “saúde é um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual, e não apenas a ausência de doença, processo que capacita o
ser humano a cumprir a missão que Deus lhe destinou, de acordo com a etapa e a condição de vida em que se encontre(5)”.

15. A vida saudável requer harmonia entre corpo e espírito, entre pessoa e ambiente, entre personalidade e responsabilidade (6). Nesse sentido, o Guia Pastoral, entendendo que a saúde é uma condição essencial para o desenvolvimento pessoal e comunitário, apresenta algumas exigências para sua melhoria:
a. articular o tema saúde com a alimentação; a educação; o trabalho; a remuneração; a promoção da mulher, da criança, da ecologia, do meio ambiente etc.;
b. a preocupação com as ações de promoção da saúde e defesa da vida, que respondem a necessidades imediatas das pessoas, das coletividades e das relações interpessoais.
No entanto, que estas ações contribuam para a construção de políticas públicas e de projetos de desenvolvimento nacional, local e paroquial, calcada em valores como: a igualdade, a solidariedade, a justiça, a democracia, a qualidade de  vida e a participação cidadã(7).

16. Trata-se de uma concepção dinâmica e socioeconômica da saúde que, ao tomar o tema da saúde, não restringe a reflexão a causas físicas, mentais e espirituais, mas avança para as sociais. Com esta abordagem, a Igreja objetiva apresentar elementos para dialogar com a sociedade, a fim de melhorar a situação de saúde da população(8).

4.Cf. CELAM. Guia para a Pastoral da Saúde na América Latina e no Caribe. Centro Universitário São Camilo, São Paulo, 2010, nn. 6-7.
5 GPS, n. 8.
6 Ibid
7 GPS, n. 9.
8 Ibid, n. 10.

Fonte: Texto Base- Ed; CNBB

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CF2012- 1. Saúde e Doença: dois lados da mesma realidade


7. A vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas em mistérios. Diante delas, as ciências não se encontram em condições de oferecer uma palavra definitiva, mesmo com todo o aparato tecnológico hoje disponível. Assim, as enfermidades, o sofrimento e a morte apresentam-se como realidades duras de serem enfrentadas e contrariam os anseios de vida e bem-estar do ser humano.

8. Nas línguas antigas é comum a utilização de um mesmo termo para expressar os significados de saúde e de salvação¹.Na língua grega, soter é aquele que cura e ao mesmo tempo é salvador. Em latim, ocorre o mesmo com salus. Verifica-se o mesmo em outras línguas². Certamente, a convergência destes significados para um único termo é reflexo da dura experiência existencial diante destes fenômenos e a percepção de que o doente necessita ser curado ou salvo da moléstia pela ação de outrem.

9. Outro elemento importante, na antiguidade, para a compreensão da convergência dos significados de saúde e de salvação, é a antropologia de fundo. Sobretudo entre os orientais, o ser humano era concebido de forma unitária, com suas distintas dimensões profundamente integradas. Eles concebiam doenças de ordem corporal e de ordem espiritual, muitas vezes ligadas à ação de espíritos maus e a castigos. Neste contexto, consideravam que não é só o corpo que adoece, nem só a medicina que cura, o que conferia grande importância aos ritos religiosos para a salvação do adoentado.

10. A estreita ligação entre saúde e salvação (cura) e a convergência desses significados em um mesmo termo apontam, portanto,  para uma concepção mais abrangente do que seja a doença. As tendências de excluir a dimensão espiritual na consideração do que seja saúde e doença resultam, pois, em compreensões superficiais destas realidades. Como exemplo, temos a definição de saúde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) apresentou, em 1946,  que não incluía a dimensão espiritual: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças³”.

11. Somente em 2003, a OMS incorporou a espiritualidade na reflexão e na definição da saúde, não sem polêmicas e posicionamentos contrários. Esta nova concepção vem, no entanto, se firmando como uma direção a ser seguida, pois amplia os elementos para a compreensão deste fenômeno, o que é mais condizente com a natureza humana.

¹“É o significado sânscrito de svastha (= bem estar, plenitude), que depois assumiu a forma do nórdico heill e, mais recentemente, Heil, whole, hall nas línguas anglo-saxônicas, que indicam integridade e plenitude. A mesma coisa acontece com o termo soteria na língua grega, segundo a qual justamente Asclépio é considerado sóter: aquele que cura e que é ao mesmo tempo salvador”. TERRIN, A. N. O sagrado off limits: a experiência religiosa e suas expressões. Tradução de Euclides Balancin. São Paulo: Loyola, 1998. p. 154.
² Ibid.
³ 3 Esta definição consta na Constituição da Organização Mundial de Saúde, aprovada em 22 de julho de 1946, Nova Yorque.

Fonte: Texto Base CF-2012 Ed. CNBB

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CF2012- Introdução

Após uma paralisação, problemas técnicos, estamos retornando as postagens. Que o ano de 2012 seja uma benção a cada leitor. 



Introdução
1. A Igreja no Brasil, para enfrentar os grandes desafios à ação evangelizadora, percebe a necessidade de voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus Cristo. Toda a ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e para o Reino do Pai. No contexto eclesial, não há como empreender ações pastorais sem nos colocarmos diante de Jesus Cristo.

2. Esta perspectiva norteia as novas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral. Ela é condição para que, na Igreja, aconteça uma conversão pastoral que a coloque em estado permanente de missão, com o advento de inúmeros discípulos missionários, enraizados em critérios sólidos para ver, julgar e agir no enfrentamento dos problemas concretos e urgentes da vida de nosso povo.

3. A Campanha da Fraternidade, celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão. Ela contribui incisivamente para que este processo ocorra e alargue o horizonte da vivência da fé, na medida em que traz, para a reflexão eclesial, temas de cunho social, portadores de sinais de morte, para suscitar ações transformadoras, segundo o Evangelho.

4. Nesse ano, o tema proposto é “Fraternidade e a Saúde Pública”, com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8).
A saúde integral é o que mais se deseja. Há muito tempo, ela vem sendo considerada a principal preocupação e pauta reivindicatória da população brasileira, no campo das políticas públicas.

5. O SUS (Sistema Único de Saúde), inspirado em belos princípios como o da universalidade, cuja proposta é atender a todos, indiscriminadamente, deveria ser modelo para o mundo. No entanto, ele ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade 12 e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados destes serviços.

6. Entendendo ser um anseio da população, especialmente da mais carente, um atendimento de saúde digno e de qualidade, a Campanha da Fraternidade 2011 aborda o tema da saúde, conforme os objetivos a seguir propostos.

Objetivo Geral
Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde.

Objetivos Específicos
a. Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável;

b. sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade;

c. alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe;

d. difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade;

e. despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento;

f. qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos
com transparência, especialmente na saúde.

Fonte: Texto-Base Edições CNBB
www.cnbb.com.br

domingo, 11 de dezembro de 2011

CF2012- Socorrer o ser humano é um dever



SOCORRER O SER HUMANO É UM DEVER
—   “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre”
(Papa Bento XVI Encíclica Spe Salvi n. 38).


CF- 2012 - Fraternidade e Saúde Pública